segunda-feira, 15 de março de 2010
XIV CONGRESSO - INFORMAÇÃO
XIV CONGRESSO - CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Começo por agradecer a gentileza de terem aceite o meu convite para esta conferência de imprensa, provavelmente a última que faço na qualidade de presidente do único partido com sede nos Açores e que, sem dependências que não sejam as do interesse geral do nosso Povo, defende há trinta longos anos a nossa autonomia e autodeterminação, no campo do debate democrático.
Terminam três mandatos difíceis, atentas as circunstâncias de todos conhecidas mas que, apesar de todas as contrariedades, conseguimos manter a chama viva, o partido activo e os cidadãos interessados na nossa acção.
É certo que não tivemos muito apoio eleitoral devido à falta de meios materiais, sempre recusamos financiamentos ilícitos, pois que tal nunca fez parte da nossa postura quer política quer pessoal.
Mas temos razão na defesa dos nossos ideais, tanta razão quanto é certo que, mesmo sem estarmos representados no Parlamento Açoriano, as nossas posições foram consagradas no Estatuto aprovado por unanimidade pelos deputados eleitos e que depois o Tribunal Constitucional chumbou, a nosso ver erradamente, como o futuro há-de demonstrar.
De qualquer dos modos, entendi que chegou a hora de dar o lugar aos mais novos. Por isso, resolvi convocar o Congresso para o dia dez de Abril deste ano, a fim de se proceder a eleições, onde cada militante vale um voto e qualquer deles pode concorrer.
Para isso, até ao dia dois daquele mês, poderão os nossos militantes apresentar as suas candidaturas e moções de estratégia, a submeter ao Congresso e que ganhe o melhor.
Vou terminar por um agradecimento sentido a todos os Órgãos de Comunicação Social que sempre me acompanharam durante todos estes anos em que dirigi o Partido Democrático do Atlântico e a quem fico a dever atenções e gentilezas que nunca poderei retribuir, pelo profissionalismo, rigor, imparcialidade e isenção com que cumpriram o dever de informar.
E finalmente, e por vosso intermédio, a todo o Povo Açoriano, onde quer que ele viva e trabalhe quero dizer que foi uma honra servi-lo no modesto posto que ocupei, na certeza de que o fiz sem interesses pessoais.
E os riscos que corri, os custos que paguei por essa missão, levo-os comigo mais como uma condecoração do que outra coisa. Pois servir os açorianos é o maior galardão que qualquer cidadão pode aspirar.
Mais uma vez muito obrigado a todos.
Ponta Delgada 8 de Março de 2010
José Francisco Nunes Ventura
Presidente da Comissão Política
sábado, 5 de dezembro de 2009
30º niversário do PDA - Confereência de Imprensa
- A partir de agora corre o prazo de 15 dias para a apresentação de candidaturas a delegados ao 14º |Congresso do PDA;
- No próximo dia 27, no hotel VIP pelas 19h30, realizar-se-á umconvívio destinado a recordar nesse dia histórico a aprovação dos Estatutos de PDA pelo Supremo Tribunal de Justiça; a Comissão Política q que presido, resolveu atribuir diplomas de reconhecimento aos antigos dirogentes nacionais do partido, pelo trabalho político prestado em prol da emancipação do njosso Povo;
- No dia 8 de Dezembro proceder-se-á à eleição dos Delegados do Congresso;
- A\partir dessa data começa a correr o prazo de 20 dias para a apresentação das candidaturas aos orgãos máximos do partido;
- No dia 9 de Dezembro, o Presidente da mesda do Congresso anunciar´r a data de sessão plenária mdo 14º Congresso do PDA pera eleições dos corpos dirigentes do partido por um mandato de 3 anos;
- A\ Comissão Política nomeou para organizar o 14º Congresso um grupo de ytabalho composto por:
Dr. Jaime Linhares de Deus, Aires Ferreira, Claúdio Mendonça e António Cynha, que neste momento já trabalkha a tempo inteiro para organizar o mais importante evento do nosso Partido.
Muito obnrigado pela vossa presença.
(seguiram-se as habituais perguntas dos jornalistas presentes que foram respondidas pelo presidente do partido e presidente do Congresso.
Ponta Delgada, 2009-Novembro-20
publicado por PDA NACIONAL às 15:04
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30º Aniversário do PDA - Sesssão Solene - Discurso do Presidente do PDA - 27.Novº 2009
Eis que chegamos ao ano trinta da nossa existência. Entrego-vos o Partido intacto e cheio de vontade de participar no futuro.
Foram sete anos de luta e combate sem tréguas para conseguirmos sobreviver, perante a sanha encarniçada dos nossos inimigos e a inocente indiferença dos nossos conterrâneos convencidos que, sem nós, teriam conseguido o que hoje é uma sombra daquilo que precisamos para vivermos com dignidade e para que os nossos filhos tenham um futuro com segurança e progresso material, intelectual e político.
Foram diversas as actividades que levamos a efeito para além da nossa presença nas candidaturas ao Parlamento Europeu, à Assembleia da República, às Autárquicas e, principalmente às eleições para a Assembleia Legislativa dos Açores, onde apresentamos sempre a intenção de defender e trabalhar em pontos de interesse essencial para os sectores chave da economia, da saúde, da justiça, da segurança e da educação para a Região.
Apresentamos uma proposta para a revisão das Constituição com a exigência da existência de partidos regionais, e fortes mudanças no capítulo das Regiões Autónomas.
A defesa da Lei das Finanças Regionais foi uma das nossas primeiras tarefas no início do nosso mandato. Pareceres sobre o Livro Verde do Mar, e à Proposta do Quadro de Referência Estratégico dos Açores (QRESA). A participação na revisão do Estatuto da Região a que teimosamente queríamos se dominasse por Carta Constitucional Açoriana. A apreciação do programa do governo e pareceres aos orçamentos regionais. Conferências sobre diversos assuntos de interesse para a vida política socio-económica dos Açores.
De não podendo esquecer a participação na luta que com outras forças políticas, conseguimos revogar a Lei dos Partidos Políticos bem assim, a que se encontra em aberto em relação à revogação da Lei dos Financiamentos dos Partidos Políticos que gostaríamos de ver efectivada.
Enfim quando nos pediram ou achávamos que devíamos actuar, estivemos sempre presentes cumprindo a missão de Partido Político e pessoalmente de cidadão comprometido.
Não queremos ser cidadãos de segunda na nossa própria Pátria. É-nos indiferente o reconhecimento daqueles a que se destinam os nossos esforços tal como o é o reconhecimento dos filhos perante o trabalho humilde dos pais para lhes garantir um futuro mais desafogado.
Não esperamos prémios por cumprirmos os nossos deveres como açorianos. Basta-nos ter a consciência de os termos cumprido!
Não esperamos empregos, nem subsídios nem pelouros. A nós ninguém nos compra porque não estamos à venda. Queremos para os açorianos o melhor que qualquer ser humano possa almejar.
Dói-nos é certo que estranhos nos representem quando nem sentem os nossos problemas movendo-se por fidelidades partidárias de duvidoso proveito para os Açores enquanto que nós somos desprezados por não fazermos parte da rede de interesses que não são os deste povo que tanto amamos.
Mas como não estamos à espera de prebendas, vamos continuar sem elas porque não dependemos delas para viver.
Queremos que as nossas leis sejam aprovadas só por quem nós elegermos e não sujeitas a representantes de povos doutras regiões que nada sabem do nosso viver nem das nossas dificuldades nem das nossas necessidades.
Queremos ser o Povo Açoriano. Um só povo espalhado pelo mundo com a mesma cultura, o mesmo viver, os mesmos desejos, ligados pelo amor à terra que nos viu nascer ou que viu nascer os nossos antepassados ou que adoptamos como nossa para viver para sempre. A terra onde nascem os nossos filhos ou onde nós queríamos que eles nascessem. Uma terra de onde não haja necessidade de emigrar ou que, se emigrarmos, esteja sempre de portas abertas para nos receber que nos facilite as passagens e não nos sujeite, no regresso, a humilhantes afrontas ou degradantes pagamentos!
Não queremos a nossa Terra corrompida nem os nossos governantes enxovalhados como vulgares criminosos. Queremos segurança nas ruas e as ruas livres de droga e de assaltantes. Queremos a autoridade respeitada, queremos escolas que ensinem, hospitais que curem e os nossos velhinhos protegidos nas suas casas e não derramados em armazéns de moribundos, à espera de enterro. Queremos a família unida, e os nascimentos protegidos, as minorias respeitadas e a pessoa humana colocada no altar das coisas sagradas e não enxovalhada em degradantes situações de sem abrigo. Só queremos as modas que nos convêm e não as importadas. Queremos Deus nos nossos corações e paz nesta terra que ele nos deu para viver.
Amigos
Aí está o nosso partido, conquista duma geração. Vamos levá-lo à vitória porque há sangue novo que quer continuar a nossa história em direcção futuro.
Viva o Povo Açoriano
Ponta Delgada, 2009-11-27
30º Aniversário do PDA - Comunicado
Faz hoje, dia 5 de Novembro, trinta anos que os fundadores do Partido Democrático do Atlântico, ao tempo designado União Democrática do Atlântico, José da Silva Fraga, Aragão de Freitas e Teodoro de Sousa Pedro, depositaram no Supremo Tribunal de Justiça o documento de constituição do nosso Partido, que viria a ser reconhecido por aquele venerando areópago, como organização política legal, em plano de igualdade com os demais, depois duma hercúlea batalha jurídica contra a proibição absurda dos partidos regionais.
Vamos celebrar essa data histórica com um Congresso extraordinário no dia 20 do corrente mês, precisamente na data em que o Presidente do Supremo Tribunal proferiu o seu notável despacho.
Temos passado dificuldades sem conta com ataques de todos os quadrantes mas sobrevivemos contra aqueles que desejavam suprimir a única organização partidária fundada por nós e onde só nós temos voz activa. Sem as mesmas armas nos combates eleitorais não nos tem sido permitido acesso a lugares públicos de eleição. Mas a política não se faz apenas nas eleições, e nós temos consciência de termos condicionado a favor dos açorianos, os poderosos interesses estranhos à nossa Terra, nas suas manobras de nos explorar e minimizar.
Liberdade, progresso e bem-estar, eis as ideias forças que nos guiarão em mais esta caminhada contra ventos e marés na direcção dessa irreversível realidade: a livre governação dos Açores pelos açorianos.
Viva o Povo
José F. Nunes Ventura
Presidente da Comissão Política Nacional do Partido Democrático do Atlântico
quinta-feira, 26 de junho de 2008
SOB O SIGNO DO 6 DE JUNHO
Introdução
Várias pessoas vinham, de algum tempo a esta parte, solicitando uma celebração condigna da data histórica do “6 de Junho de 1975”. Não queríamos partidarizar essa celebração, uma vez que a grande Manifestação é de todos e não é de ninguém. Todavia, aventurámo-nos a fazê-lo já que essa data tem passado em branco, em aparente esquecimento. Julgámos que homenagear Francisco José Costa Matos e José da Silva Fraga seria a forma mais correcta de lembrar os espíritos mais puros que ajudaram a gerar o famoso movimento que moldou as nossas vidas.
A pronta aceitação dos oradores convidados e o êxito manifesto da cerimónia provam que tínhamos razão. Ao publicar os discursos proferidos e as fotos do evento queremos completar o circuito de modo a todos ficarem com uma grata recordação da iniciativa.
Ponta Delgada, 2008-07-06
O PDA entendeu ser lógico comemorar este ano o histórico dia 6 de Junho, jornada importante na caminhada autonómica, homenageando duas pessoas que constituíram marcos dessa caminhada.
Nesta galeria de personalidades há, felizmente, muita gente e teremos, penso eu, muito tempo para os irmos chamando ao palco das nossas atenções. Será isto uma espécie de mostra de gratidão por aquilo que eles foram e por aquilo que eles fizeram por nós.
Pensamos que a data é bem escolhida pois os milhares que se manifestaram naquele dia tão importante para nós todos, não nos perdoariam se a esquecêssemos como coisa sem importância tal como o fazem tantos outros que dela se aproveitaram.
Não devemos esquecer tão pouco aqueles que foram perseguidos e presos por causa da Manifestação que aproveito para saudar agora, principalmente os que nos deram a honra de aqui estarem presentes nesta sala e dizer-lhes que não mereciam a desfeita que lhes fizeram no Dia dos Açores. Quando tivermos um representante na Assembleia, (e basta um!) haveremos de lavrar um protesto que fique nas suas actas para que se não dê a ideia de que todos os açorianos concordam com a indignidade que ali se cometeu.
Mas hoje é dia de festa e quero apenas dar a palavra aos nossos oradores. O Dr. Pereira Leite, discípulo dilecto desse grande jurista e homem público que foi o Dr. José da Silva Fraga acedeu a falar-nos do seu Mestre. Por aquele tribuno e pelos seus escritos ficámos a saber que os Açores não estão defendidos. Pelo Dr. Pereira Leite, um dos mais ilustres advogados açorianos, vamos certamente ficar a saber mais sobre esse gigante do foro, a pessoa e o profissional que foi o Dr. Silva Fraga.
Sobre Costa Matos vai falar Jorge do Nascimento Cabral, jornalista de palavra contundente, capaz de dizer desassombradamente o que nos vai na alma. A sua independência de espírito é garantia de que vamos ouvir aqui hoje o testemunho dum homem sem medos a falar doutro que não tinha medo de ninguém. Se ele ainda fosse deputado certamente que o dia dos Açores não teria ficado manchado como ficou.
Em nome da Comissão Política do PDA quero agradecer-lhes o gesto e a disponibilidade que muito nos sensibilizaram pedindo a vossa atenção para as suas palavras que irão certamente ficar nos anais dos acontecimentos relevantes no aperfeiçoamento das nossas instituições.
Tentamos criar aqui o ambiente que se viveu em 6 de Junho de 1975, onde se vêem homens e mulheres, velhos e novos, gritando por uns Açores diferentes. Que esse grito de alma ecoe por muitas gerações é o nosso desejo para que nunca acabe o orgulho de sermos açorianos. Nós somos um Povo que quer ser respeitado. E é por isso que nos damos ao respeito e não toleramos que nos faltem a ele.
Tentamos criar aqui o ambiente que se viveu em 6 de Junho de 1975, onde se vêem homens e mulheres, velhos e novos, gritando por uns Açores diferentes. Que esse grito de alma ecoe por muitas gerações é o nosso desejo para que nunca acabe o orgulho de sermos açorianos. Nós somos um Povo que quer ser respeitado. E é por isso que nos damos ao respeito e não toleramos que nos faltem a ele.
Tem a palavra o senhor Dr. Pereira Leite.
Convidou-me o PDA para tecer alguns considerandos sobre o Dr. José da Silva Fraga, enquanto Advogado e Homem Público Ilustre da nossa Terra, o que faço com muita honra e prazer.
Antes porém não quero deixar aqui de agradecer ao Dr. Carlos Melo Bento, meu mui Ilustre Colega e Amigo, as palavras elogiosas que me teceu no A. Oriental, mas imerecidas, a propósito desta minha pequena palestra.
Entendo que as palestras e os discursos devem ser claros, precisos e, acima de tudo, curtos.
Perdoe-me pois quem discordar desta visão, pela pouca extensão das minhas palavras.
I
Na minha juventude conhecia o Dr. Silva Fraga de nome, já como advogado famoso que era, com créditos bem firmados entre nós.
Após ter concluído o curso de Direito, tive a honra de estagiar com ele, eu ainda na casa dos vinte e tal anos e ele já nos50 e muitos e a recuperar de uma grave doença que o incapacitou temporariamente.
Daí até à sua morte, convivemos quase diariamente durante cerca de uma década e meia.
E essa convivência, que se iniciou com as lides da advocacia, alastrou-se ao pensamento social e politico e ao debate de ideias, e desaguou numa profunda amizade e respeito, apesar da grande diferença de idades que aparentemente nos poderia separar.
São sobremaneira conhecidas as suas qualidades enquanto advogado brilhante, tecnicamente próximo da perfeição, e que se reflectiam nos resultados obtidos.
Tinha nos processos judiciais em que se envolvia, e em linguagem moderna, um superávit fabuloso, quase esmagador.
Homem de raciocínio rápido, claro, linear, brilhante, encontrava saídas e soluções onde os outros há muito haviam desistido.
As suas peças processuais escritas, hoje mais do que nunca, são uma referência.
Ouvi de inúmeros Juízes que com ele lidaram, os mais rasgados elogios.
E quem melhor colocado do que um Juiz para “julgar” as qualidades de um advogado?
Mas, como disse, tudo isso é do conhecimento geral.
Agora, o que poucos sabem é que o Dr., José da Silva Fraga desenvolveu essas qualidades, que o catapultaram para o topo da advocacia, como um cego desenvolve exponencialmente alguns sentidos, para colmatar a falta de visão. Isto, nas palavras do próprio Dr. Silva Fraga!
Passo a explicar:
Existe um pensamento generalizado de que um bom advogado tem de ser necessariamente um bom orador.
Nessa linha, para ser um advogado brilhante, ter-se-á de ser obrigatóriamente um tribuno brilhante.
Porém, o Dr. José da Silva Fraga, enquanto advogado brilhante que se destacou notoriamente dos restantes Colegas (e estes que me perdoem esta franqueza), foi a prova de que essa teoria não é verdadeira.
Com efeito, conhecedor de que, por via dos seus dotes oratórios não se destacaria dos outros advogados, desenvolveu e apurou quase á perfeição a escrita e a técnica, com especial incidência na processual.
Assim, os processos judiciais em que se envolvia, quando chegavam à fase de julgamento – a tal onde os dotes oratórios eram postos à prova – estavam já, muitas vezes, praticamente decididos a seu favor, tal era a desigualdade técnica e de escrita que fora aplicada aos mesmos.
E isso via-se, invariavelmente, nos resultados obtidos.
É que, como dizia Mestre Fraga, “os processos são como os icebergs: 4/5 estão submersos, não se vêm, e a parte visível é só 1/5. Os 4/5 são a parte técnica e escrita e 1/5 é a parte oral - é muito pequena”.
A estes dotes escritos e técnicos, o Dr. Silva Fraga juntava um apurado rigor estratégico e táctico, encarando o processo como uma guerra, no qual se desenvolviam diversas batalhas, até à vitória final de uma das partes, em resultado da movimentação planeada e planificada ao milímetro, como se de peças de um autêntico jogo de xadrez se tratasse.
Era uma combinação mortífera, que o tornava num adversário Temível.
Mas apesar do seu brilhantismo, o Dr. José da Silva Fraga era uma pessoa extremamente simples, sem arrogância, de trato muito afável, avesso a protagonismos e que não fazia qualquer distinção entre Colegas com “nome feito na praça” e Colegas novatos, sem experiência, a todos tratando de igual forma leal e cortês.
Sempre tratou todos, indistintamente, com correcção e respeito, desde funcionários judiciais a Colegas ou Magistrados.
Sempre também sem subserviência e com salutar frontalidade.
Era, nas palavras do seu Ilustre Discípulo Dr. Lopes de Araújo, “UM SENHOR” com letra grande.
Era também um Homem voltado para o futuro pois, percebendo que o “sangue novo”, bem orientado, poderia ser uma mais valia para a experiência e sabedoria da idade, trocava incessantemente ideias e esgrimia argumentos com Colegas novos, tendo feito escola e formado, até morrer, vários discípulos, sendo o último o meu querido Colega e Amigo, Dr. Pedro do Nascimento Cabral.
E, numa visão já então muito clara do que seria e será a advocacia no futuro, fundou a primeira sociedade de advogados dos Açores, esboçando já naquela altura a repartição de áreas específicas do direito e aproveitamento de sinergias, hoje em dia tão em voga.
II
A outra faceta do Dr. Silva Fraga – a do Homem público – é fascinante.
Tive o privilégio de, por via da amizade que se criou entre nós, tomar contacto profundo com as suas ideias sociais e politicas.
E se na advocacia era um Homem avesso a protagonismos, na vida pública era-o ainda mais.
Apesar disso, a Assembleia Regional aprovou, por unanimidade, um voto de pesar pela sua morte, numa manifestação inequívoca do respeito generalizado que granjeou.
O Dr. José da Silva Fraga tinha a consciência plena que para se defenderem ideais e galvanizar as pessoas são necessários tribunos, figuras de proa, emblemáticas e carismáticas.
Tinha também a consciência plena, em virtude da sua maneira de ser avessa a protagonismos, que ele não preenchia esses requisitos.
Era, por isso e enquanto Homem público, a personificação do anti-heroi.
Não era um Homem de Acção. Era, contudo, um Homem da Razão, do raciocínio, da teoria.
Não significa isso que desdenhasse a política e o social, ou que procurasse flutuar ao sabor de ventos e marés, beneficiando acriticamente do Poder instalado.
Bem pelo contrário.
Homem amante da sua terra, de ideias claras e sem meios termos, via como melhor futuro para ela a criação de um estado independente.
Disse-o e escreveu-o desassombradamente. Inúmeras vezes. Principalmente quando passou de moda.
Principalmente quando passou a ser incómodo.
Até ao fim da sua vida!
Como recentemente lembrou o Dr. Melo Bento no Açoriano Oriental, também a ele se deve a solução político jurídica que permitiu aos açorianos defenderem sozinhos a sua terra.
Foi um ovo de Colombo tirado da cartola de um advogado brilhante.
Teorizou ainda sobre a independência progressiva dos Açores, sem ser contra Portugal, sem revanches, sem violência, sem ódio.
Pelo contrário, teorizou essa independência progressiva, enquadrada no Direito dos Povos a traçarem o seu destino, com acolhimento no Direito Internacional e nas regras do jogo democrático e no âmbito das Nações Unidas.
Bem ao jeito da sua formação jurídica.
E essa teorização está espalhada por diversos jornais, sendo o Correio dos Açores, então dirigido por Jorge do Nascimento Cabral, aquele que lhe publicou uma série de artigos subordinados ao sintomático titulo “Os Açores não estão defendidos”, e nos quais, progressivamente e de forma clara, sustentou essa teorização.
Concorde-se ou não com ele, manteve e defendeu um pensamento político consistente, respeitado e respeitável.
Sempre como viveu:
Sem subserviências, sem medo de represálias.
Enfim – LIVRE!
BEM HAJA.
Muito Obrigado.
“Tás lixado” - disse-me mal acabou de ler o papelinho do Tribunal – “como és Deputado estás na alçada da lei feita pelo Almeida Santos, que pune com 19 anos de prisão os titulares dos cargos políticos que atentem contra a unidade nacional. O melhor será ires ter com o Dr. Silva Fraga, que é especialista nestas coisas”.
Saí e calculem o terror sentido durante o percurso entre a Rua da Cruz e a Rua da Misericórdia, onde o Dr. Silva Fraga tinha o seu escritório. Os tais 19 anos de cadeia martelavam-me na alma. Devo dizer que, apesar do Dr. Silva Fraga me ter posto à vontade, só sosseguei quando o distinto advogado, já em audiência, pediu ao Juiz para gravar as sessões do julgamento, tendo como resposta “Oh! Senhor Dr., não vale a pena; vamos despachar isto hoje”. Foi descanso de pouca duração, já que o Dr. Silva Fraga pôs-se a dizer que “os Açorianos são carne para canhão? É verdade! Lisboa coloniza os Açores? É verdade!”, passando a confirmar todos os “mimos” escritos no comunicado…
A veemência do Dr. Silva Fraga fez-me enterrar pela cadeira abaixo: afinal ele estava a dizer que sim a tudo o que o comunicado afirmava e a previsível condenação a 19 anos de xelindró apertou-me, mais uma vez, a garganta. Mas o Dr. Silva Fraga sabia muito bem do seu ofício e a absolvição encheu-me o peito de ar…
Mais tarde vim a saber duas coisas: tinha sido um qualquer militar que se irritou ao ler o tal comunicado da FLA – Frente de Libertação dos Açores – e fez queixinhas ao Ministério Público (que, alegadamente, aceita tudo o que lhe põem na frente); foi o próprio Dr. Silva Fraga o autor do famoso texto…
Vamos então à minha carta aberta.
Ponta Delgada, em 6 de Junho de 2008
Senhor Engenheiro e Excelentíssimo Amigo;
Escrevo-lhe em 6 de Junho de 2008, exactamente 33 anos sobre a data em que se realizou a grandiosa manifestação onde o nosso Povo, farto de ser picado pelas aguilhadas da prepotência e da asfixia económica, encheu as ruas desta nossa cidade de Ponta Delgada a gritar palavras de ordem contra a mentira dos políticos, a inoperância dos governos, a exploração das gentes trabalhadoras, fartas de contar as serrilhas por via do massacre dos juros dos empréstimos. Foi um forte e sentido brado colectivo, cujas consequências perspectivavam uma nova esperança, o renascimento do orgulho antigo, a concretização da velha aspiração da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos”.
Tudo o que se seguiu é do conhecimento do Senhor Eng.º: criaram-nos expectativas, adoçaram-nos a alma com uns confeitos da Ribeira Grande, que rapidamente se derreteram na boca deixando o amargo da semente, prometeram-nos este mundo e o outro para ficarmos quietos, sossegadinhos, sempre agarrados ao cabo do sacho, que é aqui mais curto do que em qualquer outro lugar e assim a obrigar-nos a manter a espinha bem dobradinha sobre a terra.
Pois é, Senhor Eng.º Costa Matos, aqui estamos nós a recordar a sua figura, o seu desassombro, a sua coragem. O meu Amigo nunca precisou de revoluções, de golpes de Estado nem de manifestações para afirmar o seu pensamento; para exercer a sua cidadania em liberdade; para dizer o que pensava sobre os rumos e os desafios lançados ao Povo dos Açores perfilhados nos nossos horizontes sempre iguais. O meu Amigo, muito antes dos ventos libertários do “25 de Abril”, ocupava parte da primeira página do “Correio dos Açores” com excelentes e oportunos contributos sobre os mais variados temas: desde a insularidade, agricultura, pescas, porto de Ponta Delgada (hoje diminuído, descaracterizado e transformado numa amálgama desatinada de valências e de betão), o prolongamento do nosso aeroporto e o desenvolvimento económico, até aos investimentos perspectivados para o futuro dos Açores, passando pelo imediatismo de algumas decisões urgentes, sob pena do seu adiamento comprometer, seriamente, o progresso das nossas ilhas.
Sempre em defesa da terra!
Aqui e agora, Excelentíssimo Amigo, também quero recordar as conversas que tínhamos no meu gabinete do antigo Emissor Regional dos Açores, onde o Senhor Eng.º tinha paciência de explicar, “tintim por tintim”, as mais variadas questões do dia a dia, a governação, o seu empenhamento na sua UDA – União Democrática do Atlântico, mais tarde diluída no Partido Democrático do Atlântico, sempre lutando pelo futuro da nossa terra e da nossa dignidade.
Tenho bem presente a sua defesa da aquacultura e baila-me na memória o episódio relatado sobre essa infra-estrutura em França, onde as trutas, que saíam dos tanques, iam para uma passadeira rolante, levavam um choque e ficavam ali esticadinhas, prontas para o dente…
Caríssimo Amigo; não posso deixar de recordar as suas oportunas e importantes intervenções sobre política aérea e o seu debate televisivo com o Dr. Cândido Pamplona Forjaz, ilustre terceirense, sobre a centralização no Aeroporto das Lajes da placa giratória dos Açores. Foram momentos de alto gabarito, que perduram, honram e douram a nossa História.
De si, guardo a postura imponente, a convicção e a consistência das suas análises; o desapego dos cargos políticos e o fogo-fátuo das condecorações; a ambição de ver uns Açores onde nunca tivessem lugar a subserviência, a incompetência, as grandes desigualdades sociais, injustas entre os Açorianos.
E que dizer da sua mágoa sobre os cobardes ataques ao MAPA – Movimento para a Autodeterminação do Povo Açoriano, onde algumas figuras conhecidas exerceram uma intolerância fanática contra uma ideia, um propósito, um objectivo, com a mesma legitimidade com que defendiam o seu contrário?
A sua personalidade, o seu desassombro e a sua solidariedade humana, imbuída de uma democraticidade que não se envolve estrategicamente com qualquer brisa da História, cresceu, cimentou-se, era baseada numa cultura ancestral própria dos espíritos superiores e constituiu só por si uma referência não só aos seus conterrâneos, mas também para as novas gerações, que começavam a criar consciência das respectivas responsabilidades emergentes, na dimensão dos seus próprios espaços.
Como compreendi a sua desilusão perante o jeito amanhado dos seus concidadãos, ao não apoiarem um projecto de emancipação e de reafirmação da dignidade Açorianas…
“…mexer para que fique igual…”
Meu caro Senhor Eng.º; é triste quando estamos absolutamente convencidos da razão e constatamos que a massa popular, muitas vezes de forma irresponsável, é manipulada por autênticos truões que se julgam predestinados a exercer o poder sobre tão sacrificados seres humanos, que fazem do trabalho duro o preenchimento de uma vida e dos calos nas mãos um magoado ornamento. Daí aquela sensação de vazio de alma, de desfalecimento interior, de voz sumida de tanto desencanto, ao assistir à deriva de todo um Povo para outros caminhos, igualmente cheios de silvas e de aproveitamentos desumanos, a dar continuidade à exploração, ao esmagamento da dignidade, à contínua pressão sobre a espinha, para que continue dobrar-se em direcção à terra.
Sei como o meu caríssimo Amigo ficou desiludido com a fuga da nossa gente para prosseguir o alimento do centralismo, da negação da “livre administração dos Açores pelos Açorianos”, não conseguindo colocar na então Assembleia Regional dos Açores uma única voz que soubesse dizer um veemente NÃO a todo o ziguezaguear político ao redor dos interesses açorianos, a imitar o cinismo do Príncipe Don Fabrizio Salina, imortalizado na obra de Giuseppe Tomasi Di Lampedusa, Il Gattopardo, quando considerava ser “necessário mexer em algumas coisas para que tudo fique na mesma”.
Tal princípio não fazia parte da rija têmpera do meu preclaro Amigo; com uma personalidade de antes quebrar do que torcer, o seu proverbial pragmatismo levou-o a mandar fazer um escape em aço para o seu Mercedes preto com cromados, desafiando-me a copiá-lo quando me queixava da falta de resistência do meu. “Assim poupava tempo e dinheiro, porque aquilo era de longa duração”. Recorda-se, Senhor Eng.º?
Já vai longa esta carta e os seus amigos e admiradores aqui presentes, ameaçam agitar-se nas cadeiras. É tempo de terminar. Mas antes, meu caro e velho Amigo, deixe-me recordar-lhe no que se transformou tanto esforço, tanta abnegação, tanta coragem e tanto desassombro, que rodeou os dias de glória da luta pela Autonomia Constitucional, com o Senhor Eng.º a deixar igualmente a sua forte impressão digital nesse longo e difícil percurso: temos gravíssimos problemas na lavoura, que se vai aguentando, Senhor Eng.º, graças à cornucópia da União Europeia prestes a finar-se (e o Senhor tantas vezes previu que um dia isso iria acontecer); São Miguel é um cada vez maior campo, não de searas loiras a menear-se ao vento, nem de milho verde, mas de um feio e descomunal betão cinzento; todas as principais iniciativas dos nossos antepassados estão agora em mãos exógenas às nossas ilhas e, claro, passamos de donos a meros empregados, a tal ponto, velho Amigo, que agora se diz a “livre administração dos Açores pelos madeirenses”; os mais humildes levantam-se de madrugada, não para cantar a nossa cativante melodia, mas para esperarem sentados nas soleiras dos centros de saúde à espera de marcar consulta; conseguimos, Senhor Eng.º, estar no topo do insucesso escolar e os alunos que levam o estudo a sério são alvo de tentativas de marginalização por parte de responsáveis, muito interessados em nivelar por baixo; temos os maiores índices de consumo de estupefacientes e a criminalidade e a insegurança são o pão-nosso de cada dia; apoiamos outros países (sim, Senhor Eng.º, eu disse países), enquanto por cá abandonamos os repatriados, os desempregados, as pequenas e médias empresas e tanto sector a pedir ajuda quase de mãos postas. Em mais uma revisão do nosso Estatuto, para além de umas troca-tintas com preceituados legislativos (a tal sentença de que “é preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma), os eleitos pelo Povo assassinaram a nossa Alma, a Alma inerente ao conceito de Povo Açoriano, antes devida e amplamente consagrada no texto estatutário, remetendo essa realidade histórica e insofismável para um preâmbulo sem chama, sem força, sem dignidade, com o argumento de que “isso do Povo Açoriano não dá pão”, infeliz e triste amostra da mentalidade de um deputado eleito, precisamente, pelo Povo Açoriano, que lhe alimenta a conta bancária…
O tempo dos Desembargadores
Continuamos, meu caro Amigo e Senhor Eng.º Francisco José do Rego Costa Matos, a ser alvo da “boa compreensão da metrópole”, quase idêntica à analisada por Eça de Queiroz, essa brilhante figura da cultura portuguesa, nas suas “Farpas”. Passo a citar:
“É necessário, no entanto, fazer uma certa justiça: a metrópole faz grandes sacrifícios pelas colónias. Assim como pelos Açores – que não são uma colónia, mas que pela distância, pelo abandono, pela separação de interesses tem toda a fisionomia colonial, como não serem senão uma província. Portugal para com os Açores é inesgotável… de desembargadores!
Às vezes os jornais dos Açores, tomando um ar severo, voltam-se para a metrópole e dizem-lhe no rosto: madrasta!
O reino envergonha-se e manda-lhes com todo o zelo – desembargadores!Mas daí a pouco os Açores, inquietos, começam a dizer que não seria mau tentar os Estados Unidos! O país ataranta-se e para lisonjear os Açores manda-lhes mais desembargadores.- Basta! - exclamam os Açores afogados em tanto carinho, basta de segunda instância!E a Metrópole – inexaurível no seu amor – continua impassível a verter-lhe no seio catadupas de desembargadores.” Fim de citaçãoHoje, Senhor Eng.º e meu Ilustre Amigo, os desembargadores têm outro nome: agora são ministros da República ou representantes da dita. Pior ainda: vêm para cá com a nossa anuência. Com a nossa cumplicidade.
Com muito ainda para dizer, despeço-me, meu bom e saudoso Amigo, elevando o meu pensamento à memória e ao legado de um grande Açoriano, com quem tive o privilégio de conviver e de (recorda-se Senhor Eng.º?) ajudá-lo a organizar uma conferencia de Imprensa num então famoso restaurante, regada por queijo fresco temperado pela indispensável pimenta da terra, para falar da UDA, da UDA/PDA e do MAPA e dos Açores, para matar a curiosidade dos jornalistas, que prontamente aceitaram o seu convite, o convite de um homem honrado. Que nos legou exemplos, tenacidades, desassombros, conhecimentos.
E, sobretudo, um grande amor pelos Açores.
Jorge do Nascimento Cabral
terça-feira, 22 de abril de 2008
A liberdade é o valor supremo da democracia.
A nossa voz tem raízes profundas no amor à Justiça.
Um país como o nosso, uma Região como os Açores não deve falar a duas vozes, o pluralismo ideológico não se exprime apenas a duas vozes, porque a verdadeira liberdade não é bipolar, mas apaixonadamente plural, multifacetada como o nosso modo de ser.
Queremos partir para o futuro, porque a aventura como a liberdade não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida, a aventura é partir!
Temos um projecto, temos gente competente a trabalhar connosco, temos uma liderança em quem as pessoas podem confiar.
O PDA é um instrumento politico que pode dar de uma forma eficaz e num “Projecto Credível”, voz e forma ao sonho de tanto açoriano. O PDA é uma parte considerável para não dizer um todo da Alma de um Povo.
Os açorianos precisam de uma “voz incómoda” de uma voz livre que os represente na Assembleia Legislativa Regional, no fórum máximo da autonomia que o lindo sonho de uma manhã florida de Abril converteu em realidade vivida mas não inteiramente cumprida.
O P.D.A. cumpre como “Alma dos Açores” que é.
O P.D.A. Tem a memória viva pela clara luz de uma florida manhã de Abril em que, os cravos em botão, frescos como a brisa matinal, apareceram vermelhos, túrgidos e frescos no regaço da esperança da alma lusitana, tornando realidade o sonho dos açorianos no respeitante à sua Autonomia.
Abril cantou nos corações naquela bela e inolvidável madrugada.
O sonho de Abril continua a cantar na voz do milhafre que saltou do seu ninho para o esplendor da luz nessa aurora em que, finalmente, pudemos gritar a plenos pulmões.
Somos livres de voar!
